quinta-feira, 23 de março de 2017

Opinião: A Chave de Sarah - Tatiane de Rosney

  Oi pessoal! Tudo bem? Hoje estou de volta, dessa vez para fazer algo que já não faço há bastante tempo aqui no blog: dar minha opinião sobre um livro. Percebi que não tenho feito apoiado literatura tanto quanto eu gostaria nos últimos tempos mesmo lendo o tanto que eu leio, já que eu tenho que dar devida atenção aos meus próprios projetos, fica difícil resenhar livros para o blog. Mas prometo que, a partir de abril, eu vou tentar resenhar pelo menos duas das minhas leituras mensais aqui no blog.
   Mas já que ainda estamos em março, eu decidi botar esse meu plano em prática, resenhando um dos melhores livros que tive o prazer de ler esse ano. Com vocês, A Chave de Sarah.




Nome: A Chave de Sarah
Autor: Tatiana de Rosnay
Gênero: Drama; romance.
Número de Páginas: 399
Editora: Suma das Letras
Versão: Edição de Bolso (Pocket)

Sinopse: Em 'A Chave de Sarah', Julia Jarmond, uma jornalista americana que vive na França, é designada para cobrir as comemorações do 60º aniversário do Vel d'Hiv, episódio do qual ela nunca ouvira falar até então. Ao apurar os fatos ocorridos, a repórter constata que o apartamento para o qual ela e o marido planejam se mudar pertenceu aos Starzynski, uma família judia imigrante que fora desapossada pelo governo francês da ocupação, e em seguida comprado pelos avós de Bertrand. Julia decide então descobrir o destino dos ocupantes anteriores - e a história de Sarah, a única sobrevivente dos Starzynski, é revelada. A família de Sarah foi uma das muitas brutalmente arrancadas de casa pela polícia do governo colaboracionista francês. Michel, irmão mais novo da garota, se esconde em um armário, e Sarah o tranca lá dentro. Ela fica com a chave, acreditando que em poucas horas estará de volta. A Chave de Sarah retrata a sofrida jornada da menina em busca de sua liberdade - dos terríveis dias em campos de concentração aos momentos de tensão na clandestinidade, e, por fim, seu paradeiro após a guerra. E à medida que a trajetória de Sarah é revelada, mais segredos são desenterrados.

Opinião

   Eu adquiri A Chave de Sarah durante a minha última compra de livros, no começo de março. Pela primeira vez, eu decidi comprar livros físicos na Amazon, e, com algumas boas promoções à vista, acabei encontrando esse livro por R$19,92 em sua versão de bolso. O livro me chamou a atenção, não só pelo preço, mas por seu enredo que, a princípio, parecia muito interessante e intenso, e com um contexto histórico bastante chamativo, então fiquei ansioso para comprar, sendo o primeiro a partir para o meu carrinho. E, dois dias depois, o livro chegou junto com outros cinco que eu havia encomendado, comigo finalizando a leitura em cerca de quatro ou cinco dias.
   O livro tem como objetivo revelar um acontecimento obscuro e não tão lembrado na história da França: o massacre dos judeus na França em julho de 1942, ao mesmo tempo que tenta apresentar uma nova perspectiva sobre essa história. O grande mérito do livro é apresentar a história por dois ângulos totalmente diferentes ao apresentar as duas personagens centrais em diferentes períodos da história. Enquanto a história da personagem-título, Sarah, se passa durante o decorrer da tragédia em 1942, quando Sarah era apenas uma criança e fora enviada para a morte junto com sua família e todos os outros judeus, a história de Júlia, uma jornalista americana, se passa em 2002, ano em que o marco completara seu sexagésimo aniversário.
   Desde o princípio das história, quando é dada à Júlia a tarefa de escrever sobre o evento para a revista americana em que trabalha, as duas histórias começam a se juntar. Se num primeiro momento a autora alterna a narrativa entre os pontos de vista de Sarah e Júlia a cada capítulo (primeiro Sarah, depois Júlia, depois Sarah de novo...), não demora muito para que a narrativa de Sarah seja concluída, deixando um número suficiente de pontas emendadas para que Júlia possa tomar a frente da história, com a questão central do livro deixando de ser "o que aconteceu em 1942?" para ser "o que aconteceu com Sarah?". Apesar da ótima construção do enredo, é nítido que Júlia como única protagonista não consegue carregar a história sozinha durante o seu quarto final, onde boas oportunidades de climax simplesmente se perdem na falta de foco e no passar das páginas.
    O que não pode ser questionado, porém, é o poder de Tatiana de Rosnay em nos teletransportar de volta para àquela época. É visível o poder de sua narrativa em terceira pessoa e o quão melhor ela se dá no passado do seu livro do que em seu presente. A dor, a angústia, a dúvida... Embora seja fácil adivinhar o que vai acontecer, a emoção continua ali, presente durante todas as vezes em que Sarah entra em cena. A personagem-título, aliás, é a que mais se destaca na história inteira. É com Sarah que nos emocionamos, choramos e refletimos em nossas ações como seres humanos. Ganham pontos também o casal Dufaure, Rachel, Zoe e William, todos coadjuvantes que, de uma forma ou outra, dão força à jornada de sua protagonista.
    É o tipo de leitura que ganha fôlego já em seus momentos iniciais, mas que vai perdendo-o em seus momentos finais - mesmo porque, em seus momentos finais, temos a impressão de que não há mais nada para acontecer, e de que tanto faz se iremos ler mais 20 ou 50 páginas. Mesmo assim, é uma leitura quase impossível de abandonar, e super recomendada para qualquer um que esteja atrás de um bom drama. Nota: 4/5.

   Bem pessoal, eu espero que tenham gostado. Semana que vem teremos mais um post da série Por trás de A Verdadeira Morte falando do conto A Caminhada, o penúltimo, então não se esqueça de conferi-lo. Um bom dia e até mais ver!

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