terça-feira, 29 de março de 2016

(Resenha) Kitty - Elle S.

  Oi pessoal! Tudo bem?
  Estou me sentindo meio desgastado para escrever essa semana; embora tenha trabalhado um pouco mais na antologia e feito alguns avanços, essa Semana Santa certamente não foi a do Rennan Escritor, e sim a do Rennan Leitor.
  Fiz uma assinatura do Kindle Unlimited, e com o projeto "Um Dia à R$0,00", que ocorreu no fim de semana passado, acabei baixando diversas obras para leitura. Ainda não li todas, mas amei algumas, enquanto outras foram razoáveis para mim, mas assim é a vida: não dá para gostar de tudo.
  De qualquer forma, com A Verdadeira Morte sendo um projeto que já está bem encaminhado - e com uma provável lista de contos já feita -, tenho tido bastante tempo para ler. No momento, estou lendo minha primeira distopia: a série Divergente. Mas enquanto eu ainda estou no livro Insurgente e não posso dar meu parecer geral sobre a série, quero chamar a atenção para uma obra que eu li semana passada...
  Com vocês, Kitty.

Título: Kitty
Autor: Elle S.
Editora: Arwen
Ano de Lançamento: 2015
(livro lido através do Kindle Unlimited)
Nota: 4/5 estrelas

Sinopse

Kitty é uma gata sarcástica e cheia de mistérios que aprendeu a viver nas ruas há mais de quatrocentos anos. Independente e esperta, ela foge de qualquer contato humano, já que deixar-se ser adotada é o seu pior pesadelo. O grande medo dessa felina é que alguém desperte dentro dela o seu maior segredo. 
Vivendo nos becos da cidade de São Paulo, Kitty conquista o coração de Eduardo e, contra sua vontade, vira um animal de estimação. Tudo o que essa gata não queria que acontecesse. 
Entre as diversas tentativas de fuga, ela se vê cercada de afeto e carinho pelo seu novo dono e começa a ser cativada. Então, é Eduardo, seu dono ruivo e charmoso, que desperta o que Kitty tem de pior. Quando ele deseja que sua amada amiga de estimação seja mais do que ela realmente é, a gata precisa correr contra seu próprio instinto. 
Ser quem ela foi condenada a ser, ou viver como quem ela verdadeiramente é? Dividida entre duas espécies, Kitty precisa decidir o destino de sua vida para viver um grande romance.

Opinião

  Eis que continuo minha tradição de ler os grandes livros de fantasia nacional... E o lançamento de 2014 pela Editora Arwen foi um dos primeiros que me chamou a atenção para leitura nesse 2016.
  A obra de mais de 200 paginas se passa numa São Paulo alternativa, em que Kitty - a personagem principal - é transformada em um gato em determinado momento de sua vida e mantém essa forma por mais de 400 anos. Vivendo pelas ruas, onde ela crê que seja seu lugar, a moça/gata é, um dia, adotada por Eduardo, um jovem rapaz com um grande coração que a acha num beco, e após diversas tentativas de fuga da casa de Eduardo, Kitty começa a repensar sua visão sobre o mundo conforme os dias se passam na casa do rapaz.
  A obra é bastante sagaz ao juntar a realidade com o sobrenatural. A ambientação criada pela autora consegue fazer o leitor se maravilhar a partir de coisas simples, e ao contrário de diversos livros, onde a descrição de cenas fica bastante saturada entre as páginas para não alongar uma obra que já é longa, Elle S. sabe nos envolver em seus cenários e fazer jus à palavra "imersão", sendo raros os momentos em que temos que voltar as páginas para reler um momento que acabou ficando confuso.
  O desenrolar da história, por sua vez, se dá de maneira lenta demais em certos pontos. Cenas que despertam um menor interesse no leitor, como as que incluem o gato Marvin Padilha, são alongadas até demais, enquanto momentos cruciais para a trama, para uma das cenas em que Kitty reencontra Arthur, vêm e vão rapidamente. 
  Isso se deve, em parte, pela falta de habilidade da personagem-narradora em se comunicar com outros seres, humanos ou não; mesmo assim, não dá pra pôr toda a culpa no enredo, já que até mesmo as emoções de Kitty passam batidas certas vezes. O bom, é que mesmo que certos eventos gastem mais páginas do que deveriam, não dá para dizer que há a clássica "encheção de linguiça" no livro, pois todas as cenas são essenciais para a trama, apesar de certos destaques serem questionáveis.
  Já os personagens chamam bastante atenção, mesmo que isso nem sempre seja algo bom. O já citado Marvin Padilha, por exemplo, tem uma background story convincente e pode até comover o leitor em determinados momentos.
  A coerência do personagem, porém, não pode ser considerada um forte. Sua mudança de posição em meados do livro é questionável, e seu personagem, apesar de carismático, nem sempre sustenta a trama tão bem quanto Eduardo, por exemplo. Mas apesar disso, o co-protagonista também sofre com ações abruptas, inesperadas, e as vezes sem sentido. Isso para não comentar as ações forçadas, derivadas de seu esteriótipo de jovem rapaz doce e de coração bom. Sua introdução é feita de forma chamativa e, na primeira metade da trama, o rapaz, que já esbanja uma certa doçura, convence, não chegando a ser mais um Gary Stu. Porém, quanto mais o livro avança, mais Eduardo se torna um personagem irrealista e confuso, bastando ler as cenas com o antagonista para que isso fique bem claro.
  Arthur, amigo de Eduardo, já não sofre tanto com isso, conseguindo cativar desde o primeiro momento, enquanto a ex-namorada do ruivo, Alice, não é exatamente profunda, mas convence. Porém, o verdadeira destaque fica para Kitty, a protagonista, uma personagem tão bem trabalhada que mesmo em seus momentos de indecisão, age de maneira natural e conforme, sendo uma das poucas figuras do livro que nunca deixa um ponto de interrogação sobre a cabeça do leitor.
  Seu sarcasmo e sua imposição durante boa parte do livro dão um ar feminista a sua personalidade, e seu desejo por se manter sozinha é algo bem explicado na história. Apesar de ser uma gata, Kitty ainda consegue mostrar humanidade, algo essencial para a segunda parte do livro.
  Mesmo assim, ela não é imune a assombração que enfraquece os personagens na segunda parte do livro. Mesmo que ela continue com seu brilho, já percebemos que não estamos mais diante da personagem que iniciou a história, e não podemos deixar de nos questionar se isso é bom ou ruim, já que a continuidade não foi um fator bem trabalhado. O mesmo, no entanto, não pode ser dito do final, que, se não chega a ser surpreendente, é emocionante e deixa marcas na memória do leitor.
  Há poucos erros ortográficos, mas muito poucos para que possam atrapalhar a leitura.

Conclusão

  Mesmo com alguns problemas de execução em suas ideias e de seus personagens, Kitty se estabelece como um livro de fantasia grandioso, com um conceito batido, porém extremamente bem revigorado nas mãos de Elle S., e uma personagem marcante, Kitty, da qual não vamos esquecer por um bom tempo. Num mundo em que as ideias de transformações age desde os anos 60 na literatura, Kitty consegue seu espaço.
  Por fim, só me resta recomendar a obra. Quem gostou da resenha pode adquirir o livro através do própria loja da Arwen ou da Amazon.
  Espero que tenham gostado da resenha, e em breve, estarei postando novamente aqui no blog. Mas em breve, já que agora irei escrever um pouquinho mais de contos...
  Muito obrigado a quem leu e até a próxima!

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