sexta-feira, 18 de março de 2016

Primeiros Momentos de "Imperfeição"

  Oi pessoal! Tudo bem com vocês?
  Estou aqui, mais uma vez na madrugada, dessa vez ouvindo One do Ed Sheeran, enquanto posto para você um dos primeiros momentos de Imperfeição.
  Espero que gostem.


Imperfeição


Olhar e não poder tocar;
Entender e não poder confortar;
Sofrer e não poder contar;
Se arrepender e nunca poder voltar atrás.
Essa foi a minha vida junto a Arthur, alguém que conheci tão profundamente, mesmo sem nunca ter tido uma grande conversa com ele.
Misterioso, quieto, e um grande antissocial. Não chamava a atenção de ninguém na nossa sala ao sentar no fundo da classe, perto da parede, e também não dirigia a palavra a ninguém. Surpreendentemente, os outros garotos não mexiam com ele como faziam com os outros estudantes mais quietos. Eles apenas fingiam que Arthur não existia.
Não direi que foi amor à primeira vista. Apesar de, sim, ter achado Arthur bonito desde a primeira vez que o vi – com seus cabelos negros um tanto longos e jogados para trás em um estilo skatista, e seus olhos castanhos que nunca olharam nos meus, mas que ainda assim me encantavam –, não posso negar que sempre o achei quieto. Quieto até demais...
Ele era sempre um dos primeiros a terminar a lição, mas não diria que ele era um nerd, já que, pelo que eu via quando os professores entregavam as provas e os trabalhos dele, na maioria das vezes Arthur tirava notas entre quatro e oito, o suficiente para passar, mas não é o que se chamaria de “estudante exemplar”. Mesmo assim, ele estudou comigo por dois anos, entre o primeiro e o segundo ano do ensino médio, e foi difícil não olhar pra ele nesse meio tempo.
Eu tinha meu grupo de amigas na escola, mas de todas elas, somente a mais próxima de mim, Lilian – que eu chamava carinhosamente de Lili – tinha percebido meus olhares discretos para Arthur.
— Por que não fala com ele? — ela perguntou um dia, me pegando de surpresa. Meu coração não disparou e nem meu sangue ferveu, eu só engoli em seco, tentando pensar em como seria se eu falasse com ele. O pensamento me deu calafrios. — Vamos lá... Ele é quieto, mas não parece ser um cara mau. Dá uma chance pro destino.
— Aqui com você é muito fácil falar. Você sabe o quanto eu sou extrovertida e tal, mas também sabe o quanto eu sou travada quando estou nervosa. — Respondi, olhando para Arthur novamente.
Sabe que o ensino médio não dura pra sempre, né?
­Sim. — Respondi prontamente.
E também sabe que não terá a chance de falar com ele pra sempre, não sabe? — com aquela pergunta, Lili derramou sobre mim a realidade que eu já sabia...

Sim... — ...e para a qual eu infelizmente não estava pronta.

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