terça-feira, 20 de outubro de 2015

Vida Voraz.

  Chorar pela vida de outra pessoa; qualquer pessoa, um amigo querido que partiu ou alguém com uma ligação espiritual com você. É a única forma que encontro de chorar sem parecer mais um adolescente idiota, mas nem assim sou respeitado como deveria. Lagrimas caem, mas a dor não passa. Eles dizem que certas coisas são bíblicas, estão destinadas a acontecer, estão destinadas e nada se pode fazer para impedi-las. A morte é uma delas...
  Com certeza a morte é inevitável; não tem como negar: a hora de todos chegará. Mas e quando a morte é evitável, e chega mais cedo? A dor se torna mais profunda? Mais lagrimas irão cair por conta de alguém que partiu cedo demais para o gosto de outra pessoa? Eu não sei. Sei que quanto mais penso nas pessoas que matei, mais eu tenho gosto de dizer que não o farei mais... Ledo engano, pois mesmo sem querer, eu continuo matando dia após dia. É um vício que eu posso controlar, mas não quando eu não posso me controlar.
  Quando eu pude, eu estava quente por dentro, agora meu coração está em pedra, e risadas poderão me fazer esquecer por um tempo, mas se tem uma coisa que aprendi é que a hora do jantar sempre tem que chegar, mais cedo ou mais tarde.
  Talvez daqui alguns anos eu possa respirar de novo, sem peso nas costas e dor no coração, mas até lá eu terei mais gritos dentro de mim; gritos de alguém que não teve chance de se salvar.

  Assino minha confissão: sou um assassino. E você? Já matou hoje?

domingo, 18 de outubro de 2015

Resenha de álbuns: Revival - Selena Gomez

  Oi pessoal! Tudo bem?
  Hoje decidi mudar um pouquinho a rotina de publicações do blog e vim fazer uma resenha de um dos álbuns mais esperados por mim durante todo o ano - acredite, eu esperei tanto por esse álbum que fiquei algumas noites sem dormir antes do lançamento.
  Estou falando de Revival! Da nossa linda, latina, sexy e cabeçuda, Selena Gomez!

  Revival


O amadurecimento e o renascimento
  A maior parte dos artistas pop, afim de divulgar os seus novos álbuns, fazem diversas entrevistas seguidas de performances dos chamados singles. Por vezes, eles prometem um amadurecimento (tanto em composições quanto vocalmente) e toques muito mais pessoais ao LP. Um bom exemplo é Britney Spears, que fez três álbuns mais direcionados ao público teen entre 1999 e 2001, e então tomou controle criativo de seu quarto disco, In The Zone, lançado em 2003 com uma sonoridade mais urban e um amadurecimento em sua imagem que prevalece até os dias atuais: uma mulher sexy, mas que raramente parte para a vulgaridade e tem como foco principal fazer boa música pop, algo que fica explícito em seu magnum-opus, Blackout (2007).
  Depois de mais de dez anos, a história parece se repetir com apenas algumas mudanças. Enquanto Miley Cyrus se revelou agressivamente sexual em Bangerz (2013) e Miley Cyrus and Her Dead Petz (2015), e Demi Lovato buscou um caminho mais pessoal, porém tão sexualizado com o de Miley no seu recém chegado Confident, Selena tenta ir para uma direção oposta a das ex-companheiras Disney, sendo mais sensual do que sexual.
  Algo que não me deixa mentir é a forma como as três tratam o seu trabalho: todas as três ficaram nuas nessas novas fases, mas é diferença é que enquanto Cyrus ficou nua em cima de uma bola de demolição, parecendo mais querer causar controvérsias do que mostrar um lado pessoal, Lovato fez um ensaio fotográfico completamente nua e sem edições, mais pessoal do que o de Cyrus, mas que ainda assim parece querer chamar atenção para o CD de forma mais, digamos, visual.
  Já Gomez, ao ficar semi-nua na capa da versão deluxe de Revival, deixa claro que está querendo passar uma mensagem similar a de Christina Aguilera em Stripped: ela está semi-nua, mas essa é sua forma de dizer que está completamente aberta ao público, sem mais segredos a esconder e nem mais ninguém guiando sua música por si. Somente ela. E a julgar pelo fato de Selena ser a produtora executiva de seu novo álbum, compôr 11 das 16 músicas do novo CD e pela amostra vocal mais poderosa de seus singles Good for You (feat. A$AP Rocky), Same Old Love e a promocional Me & The Rhythm em comparação ao que ela fez no passado, Selena não estava brincando quando disse que este seria o álbum mais pessoal de sua carreira (até agora, claro).

  A resenha


Revival (2015) - Interscope Records
  Abrir o CD com Revival, uma faixa minimalista com batidas que vão sendo acrescentadas e influências do urban-pop é uma decisão arriscada. Porém, a faixa co-escrita por Gomez abre com uma breve poesia da mesma: "eu mergulho no futuro, mas eu estou cega pelo sol; eu renasço a cada instante, então, quem sabe no que eu me tornarei..." ela recita logo nos primeiros segundos de uma faixa que fala sobre ser livre, dono do próprio nariz e, mais importante para Gomez, da própria música. Ela quer sentir como é ser uma verdadeira cantora e ser reconhecida por isso, e mandar essa mensagem logo de cara para o ouvinte só nos faz acreditar ainda mais no quanto ela amadureceu, apesar dos vocais de Selena as vezes serem abafados por leves doses de sintetizadores.
  Mas felizmente, a faixa-titulo é uma das raras situações onde isso acontece. Camouflage, por exemplo, é a melhor faixa da edição padrão no quesito vocal, uma vez que deixa todo o encantamento para a voz de Selena e para um piano e um teclado ao fundo. No entanto, a música pode se tornar enjoativa a qualquer instante, o que é péssimo para a única balada da edição padrão.
  Era de se esperar mais baladas em um CD que tem como principal objetivo ser pessoal, mas ao invés disso, somos apresentados a uma variedade de mid-tempos pessoais, que podem ser escritas ou não por Gomez. Sober, cuja letra que veio a partir de uma conversa de Gomez com Chloe Angelides (compositora da faixa) é um bom exemplo, sendo a mais pop do álbum e também uma das mais pessoais ao falar sobre como as pessoas são diferentes quando estão bêbadas; outro bom exemplo é Rise, que com um coral gospel no refrão e servindo como uma espécie de continuação para Who Says (2011) fala sobre auto-ajuda e encerra bem o disco na edição normal, com vocais mais descontraídos, mas ainda assim belos por parte da cantora.
  Hands to Myself, produção de Max Martin, é a faixa em que a cantora mais se arrisca nos mais diversos sentidos. A produção minimalista, a letra mais sensual e um novo lado da voz da cantora no pré-refrão tornam a experiência uma das melhores oferecidas pelo CD, apesar de ser puramente pop mid-tempo e não servir para single. Para falar a verdade, são poucas as faixas do Revival que realmente serviriam como um single top 10 da Hot 100, pois por mais parecida que Hands seja parecida com o primeiro e grande single urban, Good for You (feat. A$AP Rocky), apenas Same Old Love, que já foi lançada com segundo single e até agora teve desempenho mediano no top 40, Survivors e Kill Em With Kindness parecem ter um grande destino a cumprir nas paradas da Billboard, ambas sendo EDM e mais comerciais, mas sem perder uma noção daquilo que é pessoal para cantora, já que Survivors é uma homenagem aos fãs e Kill Em é uma critica da própria cantora à mídia que a persegue.
Revival tem como lead-single a faixa "Good for You"
que conta com a participação do rapper A$AP Rocky.
  Por fim, devo dizer que não há músicas ruins na edição padrão, apenas músicas que não deveriam estar no CD por quebrarem um pouco do clima. Me & the Rhythm, uma disco inspirada nos anos 60 e 70, e Body Heat, uma faixa com influências latinas, são bons exemplos, junto com a animada Sober. Mas de nenhuma forma essas faixas são ruins ou anti-pessoais, só que elas acabam por estragar o jeito mais minimalista, dark e urban-pop do álbum.
  Principalmente quando vemos que a edição deluxe possuí faixas que poderiam ter facilmente entrado na padrão, com destaque para a balada Perfect, que tem uma letra tão profunda, dolorida e vocais tão lindos por parte de Gomez (com direito a um dos melhores agudos de sua carreira em 02:50) e uma musicalidade tão característica com o restante do álbum (essa sim é urban) que fica difícil encontrar motivos pelos quais essa música ficou para a versão deluxe. Ao ouvir Nobody surge a mesma dúvida, já que a balada R&B encanta desde os primeiros momentos.
  Me & My Girls e Outta My Hands (Loco) são latinas, sendo que a primeiro tem um toque árabe. Se tivessem colocado Body Heat na deluxe e colocado qualquer uma das supracitadas baladas da deluxe no lugar dela, provavelmente a última metade do álbum se destacaria melhor e as faixa bônus teriam mais conexão, sendo que todas seriam mais latinas. Mas uma coisa que não se pode reclamar é a forma como o álbum, em geral, acaba com a romântica e sensual Cologne.
  É impossível para mim, no entanto, dizer o quão descontente estou com a posição das músicas na tracklist. Para mim, a posição das músicas na metade final atrapalhou muito o progresso do álbum, e uma experiência que poderia ter sido perfeita foi prejudicada por algo tão simples, mas crucial, como uma tracklist.

  1. Revival (Selena Gomez, Tim James, Antonina Armato, Chauncey Hollis, Justin Tranter, Julia Michaels e Adam Schmalholz; produção: Rock Mafia, Hit Boy e Dubkiller)
  2. Kill Em With Kindness (Selena Gomez, Antonina Armato, Tim James, Benjamim Levin e Dave Audé; produção: Rock Mafia, Benny Blanc e R3drum)
  3. Hands to Myself (Justin Tranter, Julia Michaels, Robin Fredriksson, Mattias Larsson e Max Martin; produção: Mattman & Robin e Max Martin)
  4. Same Old Love (Tor Hermansen, Mikkel Eriksen, Benjamin Levin, Charlotte Aitchison (Charlie XCX) e Ross Golan; produção: Stargate e Benny Blanco)
  5. Sober (Chloe Angelides, Jacob Kasher Hindlin, Julia Michaels, Tor Hermansen e Mikkel Eriksen; produção: Stargate e Dreamlab)
  6. Good for You (feat. A$AP Rocky) (Selena Gomez, Julia Michaels, Justin Tranter, Nick Monson, Nolan Lambroza, Rakim A. Mayers (A$AP Rocky) e Hector Delgado; produção: Nick Monson, Nolan Lambroza, Hector Delgado, Dreamlab e A$AP Rocky)
  7. Camouflage (Badrilla Bourelly, Christopher Braide; produção: Christopher Braide e Dreamlab)
  8. Me & The Rhythm (Selena Gomez, Justin Tranter, Julia Michaels, Robin Fredriksson e Mattias Larsson; produção: Mattman & Robin)
  9. Survivors (Ross Golan, Steve Mac; produção: Steve Mac, Dreamlab)
  10. Body Heat (Selena Gomez, Antonina Armato, Tim James, Chauncey Hollis, Justin Tranter e Julia Michaels; produção: Rock Mafia e Hit Boy)
  11. Rise (Selena Gomez, Antonina Armato, Tim James, Chauncey Hollis, Adam Schmalholz; produção: Rock Mafia e Hit Boy)
  12. Me & My Girls (Selena Gomez, Tim James, Antonina Armato, Matt Morris; produção: Rock Mafia)
  13. Nobody (Selena Gomez, Julia Michaels, Shane Stevens, Nick Monson; produção: Nick Monson, Shane Stevens, Julia Michaels e Beijamin Rice)
  14. Perfect (Selena Gomez, Julia Michaels, Justin Tranter, Felix Snow; produção: Felix Snow, Dreamlab)
  15. Outta My Hands (Loco) (Selena Gomez, Antonina Armato, Tim James; produção: Rock Mafia, Frank Dukes)
  16. Cologne (Selena Gomez, Chloe Angelides, Ross Golan, Mikkel Eriksen, Kent Sundberg e Cato Sundberg; produção: Stargate, Donkeyboy, Dreamlab e Miles Walker)

 Número estimado de compositores e produtores: 39


Conclusão


  Selena está cansada daquele mesmo, velho amor. Ela quer ver coisas diferentes e mostrar que tem uma personalidade única como artista, e é isso que ela consegue em Revival, um dos melhores álbuns pop de 2015 e um amadurecimento mais coerente e melhor musicalmente falando do que o Bangerz da Miley Cyrus. Com vocais amadurecidos, principalmente na região grave (sua nota mais baixa é um A2 nos 00:46 de Me & My Girls), a cantora (sim, já podemos chamá-la assim) nos mostra o melhor trabalho de sua carreira, mesmo que em meio a uma tracklist controversa.
  Destaque para: Perfect, Same Old Love, Revival, Hands to Myself e Rise.

  Nota final: 4.3/5