quarta-feira, 3 de junho de 2015

A influência da escola nos dias atuais... (Ou a falta dela)

Professor não é bandido... Então que 40% não se esconda como tal!


  Oi pessoal! Tudo bem? Espero que com vocês sim, pois comigo, o meu estar agora se resume em somente três palavras: EU ESTOU PUTO! E sei que não deveria estar falando isso; não deveria nem mesmo estar retomando as atividades do blog hoje e nem escrevendo por aqui hoje também, sendo que só pretendia voltar na semana que vem...
  Mas infelizmente, hoje foi a gota d'agua para mim. Com "mim", quero dizer eu: Rennan Andrade de Oliveira, um estudante do 1º ano do Ensino Médio que está completamente cansado do que a escola tem a dizer, sendo que o que ela tem a dizer não ajuda em nada a minha situação; nem a minha, nem a de outros milhões de alunos.

O que quero para mim.

  Não estou aqui para botar fogo na escola pública, só estou aqui para mostrar o meu TOTAL desgosto quanto a forma que ela vem agindo de uns anos para cá. Para começar, devo dizer que sou rico! Rico em saúde, e para mim, isso me basta; não tenho a ambição de enriquecer, de me tornar famoso, e um mundo no qual eu possa ser um escritor, constituir minha família e dar aula para crianças me basta. Esse último quesito é que vem me atormentando nos últimos dias.
  Desde que fui ao Projeto Rumo (uma coletânea de palestras organizada pelo Rotary Club) há duas semanas atrás, fixei meus dois pés no chão e decide meus objetivos: quero fazer pedagogia e dar aulas para crianças do Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano), ou no mínimo, dar aulas de português para o Fundamental II. Nunca escondi de ninguém meu amor pela língua portuguesa e nem meu amor pelas crianças, e por isso, fiquei muito surpreso com os olhares de desaprovação, desgosto, superioridade e, até mesmo, pena, quando contei a cada pessoa próximo de mim sobre o que gostaria de ser no futuro.
  E dessas últimas duas semanas para cá, eu finalmente descobri exatamente o porquê de tantos olhares negativos...

Por parte dos alunos.

  Quando comecei a estudar até chegar no 8º ano, meu conceito de escola sempre foi de um lugar aonde íamos para aprender e fazer amigos; sempre teve a turma da bagunça, o "fundão", enfim, várias classes dentro de uma classe só. Para mim, ali só não aprendia quem não queria. Depois disso, as coisas mudaram... E muito.
  Meu ano passado é o ano que gosto de definir como "turbulento" para minha vida social. Mas indo além disso, posso dizer que minha turma era agitada: havia dias em que os professores podiam dar seis aulas seguidas sem qualquer problema, mas também havia dias em que a coordenadora aparecia duas vezes por dia na sala dando broncas.
  É fato que mais de 60% dos alunos preferiam estar em qualquer outro lugar, do que na escola; isso, porém, não é problema dos outros 40%. Estudar pra mim sempre foi considerado um privilégio, e não uma obrigação, mas parece que só eu tenho essa visão. Já vi quase todos os professores falarem "não quer estudar? Fica em casa!", mas ai já surge outros de problemas:
  • Se ficar em casa, a mãe e o pai pegam no pé (sem falar que a maioria dos pais não deixam os filhos faltarem as aulas sem um bom motivo). Não julgarei muito aqui, pois os melhores pais são aqueles que querem o melhor para seus filhos, mas se você é aquele pai que tem que lutar com seu filho todos os dias para que ele não repita de ano por conta de faltas, então não exija somente que ele vá para escola e passe de ano com notas 5; exija que ele vá para escola com uma boa postura, que respeite seus professores, que não atrapalhe as aulas e que tire notas 8 e 9, no mínimo!
    Ouço milhares de pais dizerem que o ensino na pública é uma merda, mas se o seu filho tira notas 5 e 6 e passa de série raspando numa escola com um ensino de merda, você realmente acha que ele está aprendendo alguma coisa?
  • Se ficar em casa, o conselho tutelar vai até você. O conselho tutelar age neste caso quando crianças e adolescentes não estão matriculados nas escolas, quando não a frequentam, quando têm conduta irregular, quando não se sucede bem na escola, etc... Esses últimos, devo dizer, é pura mentira, pois para o conselho tutelar agir sobre um aluno com conduta irregular, esse aluno deve, no mínimo, mandar um professor tomar no c* (e olha que eu disse no mínimo). Destruição de patrimônio, roubo, bullying, todos esses casos são relevados pela escola e pelo Conselho, e quanto ao sucesso na escola... Na maioria das vezes, a criança/adolescente que passa com 5 acha que está indo muito bem. 5 É VERMELHA! AZUL É 7!
    Deixando essas questões para lá, o Conselho Tutelar diz acreditar que o ensino de qualidade é um "direito do aluno". Se é um direito, e não um dever, então porque um adolescente, em pleno Ensino Médio e seus 16 anos, ainda é alvo do Conselho Tutelar mesmo se disser que não gosta de frequentar a escola?
  • Se ficar em casa, não aprende nada...
    ACORDEM! Se uma criança/adolescente vai para escola obrigada pelos pais ou pelo Conselho Tutelar, ela não vai para estudar, ela vai para "ficar", para fazer a vida de alunos e professores um inferno! 
  O 5 de média que ela tira no final do bimestre reflete sim no que ela aprendeu, ou seja, nada! Um 5 é um 4 ou 3 dado por um professor que ficou com pena. Claro, sempre existe aquela matéria em que não somos tão bons e que acabamos tiramos um 5 ou 6; sempre tem. Mas uma coisa é você ir a escola na busca de aprender, e outra é ir em busca de passar de série. Há uma diferença.

Por parte dos professores.

  Não há muito o que se falar por aqui. Já ouvi muitos falando que professores são "lixo", "uma merda", que "não valem nada". Claro que sempre existem as maças podres, pois eu mesmo sempre pego um professor por ano que não ensina nada e que, apesar de saber, não sabe ensinar.
  Agora vamos a um fato: os professores, sejam em escolas públicas ou particulares, são pessoas formadas, com ensino superior e muitas vezes até com pós-graduação. Todos eles são individuais:
  Alguns preferem explicar, outros preferem os textos; alguns preferem as apostilas (excelentes por sinal), outros preferem passar conteúdo na lousa; alguns adoram passar trabalhos escritos, outros preferem apresentações. Não há como definir, pois cada professor possuí um jeito diferente de ensinar, e se parasse por ai estava muito bom.
  No entanto, existem professores que realmente não nasceram para dar aula; eu odeio história, mas já tive professoras que me fizeram amar certos conteúdos da matéria, e no entanto, houveram professores que me fizeram odiá-la ainda mais. É simples: alguns professores chamam a atenção do aluno com seus conteúdos e seus métodos, que ensinam realmente bem e ensinariam ainda melhor se não houvessem salas com 45 a 60 alunos, mas sinceramente, existem professores que não dariam boas aulas nem para salas de 10 alunos. É só mais um fato.

  Apesar de todos os elogios que poderia gastar falar sobre as qualidades dos professores, agora falarei do lado ruim sobre eles: a greve dos professores.
  Não me entendam mal! Eu não vou apedrejar a greve de professores, até porque, eu apoio ela 100%. Afinal, eles só pedem aquilo que merecem:
  • O salário:
    Para mim, professores deveriam ganhar muito mais do que ganham atualmente. Deveriam ganhar mais que advogados, e até mais que médicos! Os médicos podem salvar sua vida, mas são os professores que lhe direciona para que você tenha uma vida com sabedoria. Por isso, acho que o salário de menos de R$3.000, que vem sido pago à vários professores, um absurdo. Até porque, professores têm ensino superior, e todo profissional de ensino superior deve ganhar mais do que R$3.000; em 2013, pelo menos, o salário para um profissional de ensino superior era de 4.135,06.
    Por favor gente, professores deveriam ganhar R$7.000, no mínimo, por mês. Trabalham 40 horas semanais, levam trabalham para casa e aguentam alunos desinteressados e mandados a escola por pais e pelo Conselho Tutelar. "75,33% de aumento salarial"? Pra mim, isso ainda é pouco.
  • O fechamento de salas e número de alunos por sala:
    Vou dar um exemplo pessoal: meu nome começa com "R", a décima oitava letra do alfabeto, e desde comecei o quinto ano, não me lembro de ter tido um numero menor que 25, que por acaso, é o número que os professores pedem para que seja o MÁXIMO de alunos por sala de aula.
    Certos estão eles. Na minha sala, por exemplo, existem 45 alunos. Lembro-me de uma vez em que todos os 45 alunos foram a escola, e então, uma aluna ficou fora das fileiras por não ter onde colocar a carteira; ficou no fundo entre uma e outra. E é ai que vou a outro assunto:
    Na minha escola, existem dois prédios: o principal, onde fica coordenação, direção, secretária, entre outras coisas, além da maior parte das salas, e o secundário, que é onde ficam quatro salas, uma na qual eu até já estudei quando era um novato. Nesse segundo prédio, no entanto, duas salas estão fechadas desde o começo do ano. Existem duas salas do 1º ano noturno na minha escola, e considerando que a outra sala também tenha 45 alunos, já seria de grande ajuda pegar quinze alunos de cada sala e formar uma nova turma. No entanto, o governo parece pensar mais na energia que vai gastar reabrindo as salas do que na educação que estamos perdendo. Curioso, não?
  • Água nas escolas e aceleração dos processos aposentadoria:
    Juntei tudo aqui pois não posso falar de coisas das quais não entendo. Tudo bem, todos nós sabemos que a água nas escolas é um direito que nem todas as escolas possuem, bem como a comida. Nesses momentos, eu me pergunto: cadê a ONU que não está vendo isso? São os direitos humanos, a água É um direito humano, é a coisa mais básica, as duas coisas mais importantes sobre são justamente aquelas que não aprendemos nas aulas de Ciências e Biologia: 1º, não se desperdiça, e 2º, não se nega o acesso. Justamente no Brasil, um país em que o verão é de um calor extremo, não pode faltar água.
    Quanto aos processos de aposentadoria... Ai não há o que falar. A aposentadoria é um direito, depois de você trabalhar durante seus 20, 30, 40 anos, você quer descansar em algum momento. Só não irei mais fundo no assunto, pois não sei muito o que vem acontecendo com os professores nesse quesito...
  Todas as reivindicações são justas. Eles querem um salário justo e melhores condições de trabalho, e isso é o mínimo. Porém, devo dizer que, se eles ainda não conseguirem atingir os seus objetivos, é só por uma coisa: desunião.
  Na minha sala, de acordo com o governo, já foram dadas 390 aulas até o lançamento dessa postagem. Óbvio que, com a greve, não foram dadas todas essas aulas, mas até o momento em que a escola continue aberta, para o estado, teve todas essas aulas sim. O grande problema está bem ai. Sem professores, não há escola, mas mesmo que 30% tenha aderido a greve desde o começo de março, ainda assim não é o bastante. Não se os outros 70% continuam dando aulas e mantendo as escolas abertas. Parece que os professores não pararam para pensar por um só segundo sobre isso, pois se pelo menos 90% da categoria tivesse aderido a greve quando ela estava no começo, lá em março, então agora tudo o que eles queriam já teria sido providenciado.
  Um professor que voltou da greve e foi tentar conscientizar os professores que não haviam aderido a mesma me contou que, enquanto tentava explicar, vários professores saíram da sala dos professores rindo. "Grandes filhos da p*ta", pensei eu.
  Eu creio que a união faz a força, e no momento, os professores estão sem a menor força. Vão para o MASP amanhã! Lutem! Façam valer seus direitos.

Por parte do governo.

  "É tudo culpa da Dilma". Essa é a frase que mais ouvi nos últimos seis meses, embora não acho que seja verdade. Dilma Rousseff é uma presidenta que foi eleita pelo voto popular. Ponto. Não há como culpar a Dilma por cada pingo d'agua que cai na cabeça da gente; não estamos em uma monarquia! Ela não estava destinada a ser presidenta por uma linha de sucessão, e foi nomeada presidenta simplesmente porque o povo brasileiro votou nela!
  "Ah, mas eu não votei na Dilma". Seja você quem for, você votou na Dilma. Se você não apoiou não conscientizou os outros a votarem no seu candidato, você votou na Dilma; se você votou nulo ou branco, você votou na Dilma; se você jogou justificou, você votou na Dilma; se você tinha 16 anos na época das eleições e não se preocupa em votar até os 18, você votou na Dilma! Em 2014, a escolha de quem seria o próximo presidente do Brasil realmente não era sua, era do Brasil; e você é o Brasil, e o Brasil tem o poder de escolher, e atualmente ele escolhe jogar individualmente. Então, nas eleições de 2018, pensem duas vezes antes de jogar seus votos fora. É uma democracia, e o presidente nunca é escolhido ao aleatório. Da próxima vez que pensarem em falar da Dilma, então, pense que foi você que a colocou lá.
  É a mesma coisa com o Alckmin, o governador que diz coisas que vão contra ao que a APEOESP diz. Eu não irei me envolver com o assunto de governo, até porque eu não sei nada do que se passa dentro da cabeça de nenhum político. Apenas irei deixar os seguintes links:
http://www.apeoesp.org.br/
https://apeoesp.wordpress.com/
  Um se trata do site da Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, e o outro, do blog da presidenta do mesmo. Aposto que você já leu diversas coisas sobre a greve, mas se quer saber o verdadeiro ponto de vista dos professores em greve, então aconselho que veja esses sites.

Porque estou puto

  Como devem saber, hoje, dia 2 de Junho de 2015, foram as Olimpíadas de Matemática em Embu das Artes. O fato é que, o ensino hoje em dia anda tão ruim que, após ler aquela prova inteira, eu não consegui fazer mais do que cinco questões que lá haviam. Nunca fui o maior gênio da matemática, mas esse ano foi o primeiro ano em que tirei uma nota vermelha: 4 em Física. Só não me mato porque tem como recuperar, e também porque não foi em Português.
  Mas o fato é que não sei quem culpar pelo meu 4: a professora por não explicar direito, a sala por não calar a boca durante as explicações, ou a mim mesmo por não gostar tanto de Física? Eu realmente não sei, mas só sei que, do jeito que está, não tenho qualquer gosto de tentar seguir a carreira de professor, e também não tenho gosto de frequentar mais a escola como tinha antes.

A quem não acompanha o blog, obrigado pela atenção e peço para que pensei melhor do país em que estamos vivendo. Todos temos poder, mas não desunidos como estamos agora.
A quem acompanha, nos vemos semana que vem!
  

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